Meu último post por aqui foi publicado no dia 2 de janeiro. Depois disso, um silêncio longo se instalou neste espaço. Nem sempre o silêncio significa falta de assunto; quase sempre, é o exato oposto. Tempos de calmaria geram ótimos textos em tempo real. Já os tempos em que a vida resolve capotar os dias exigem que a gente primeiro viva para, só depois, tentar traduzir tudo em palavras.
E quanta coisa cabe em pouco mais de quatro meses.
Se eu olhasse para o meu cotidiano de um ano atrás, mal reconheceria a rotina que tenho hoje. A começar pela faculdade. Iniciei mais um semestre e, quem está nessa jornada sabe, conciliar os estudos, vida pessoal e profissional é sempre um exercício de equilibrismo.
No trabalho, a engrenagem mudou de ritmo. Fui promovido a supervisor de TI. Assumir a liderança de um setor em um ambiente complexo e dinâmico como o de um hospital traz um peso diferente para os ombros. De repente, o seu escopo deixa de ser apenas resolver o problema técnico que está na sua frente e passa a ser a gestão das pessoas, dos processos e do tempo. É desafiador, por vezes exaustivo, mas é recompensador notar o próprio amadurecimento profissional se materializando.
Para acompanhar essas transições e tantas outras nuances que se acumularam na rotina, até as ferramentas do dia a dia mudaram. Em janeiro, troquei de carro. Curiosamente, fiz o caminho inverso da maioria: saí de um modelo mais recente e comprei um mais antigo. Um veículo que exige mais atenção, claro, mas que de alguma forma conversa melhor com o meu apreço por entender como as coisas funcionam.
Olhando de fora, parece apenas a descrição de um começo de ano corrido. Mais trabalho, mais estudos, deslocamentos, burocracias. Mas a verdade é que toda essa aceleração, a busca por estabilidade, o foco na carreira, a mudança na dinâmica dos dias, não aconteceu por acaso, nem por mera ambição ordinária.
Havia um norte invisível puxando tudo isso.
Em outubro do ano passado, o mundo mudou de eixo. Lembro de olhar para aquele resultado e ficar alguns segundos sem saber muito bem o que fazer com o tamanho do que estava vendo. Não era susto, era a sensação de que a vida havia acabado de reorganizar todas as suas prioridades sem me pedir licença. A Jaja, minha companheira, estava grávida. A Helisa, minha primeira filha, estava a caminho.
Tudo o que fiz, decidi ou organizei desde então foi uma preparação para a chegada dela. E agora, enquanto escrevo estas linhas, estamos batendo na porta das 36 semanas. A expectativa já não cabe mais nos planos. Ela se materializa na nossa sala com várias encomendas da Amazon daquela lista enorme de enxoval chegando quase todo santo dia. Está no berço, que já está pronto e posicionado logo ali, ao lado da nossa cama. E está, principalmente, no corpo da Jaja. O desconforto dessa reta final tem se intensificado bastante nos últimos dias, transformando o sono e o descanso dela em tarefas difíceis. Há um cansaço real aqui, misturado com uma ansiedade boa de quem sabe que a espera está acabando.